100 Dias de Escrita (Porque Procrastinar de Forma Criativa é Melhor)
Recentemente, desinstalei o Instagram do celular e, como essa era minha última grande mídia social, ainda estou em busca de algo para preencher o espaço vazio deixado pelo doomscrolling. Os blogs e newsletters têm se mostrado uma boa alternativa: tudo mais lento, mais aprofundado, mais pessoal. Um gostinho de internet antiga.
Foi em um passeio pelo discovery do Bearblog que topei com uma página onde o autor estava se dedicando a um desafio de escrita por 100 dias, chamado "#100daysofWriting". Então, como se eu não estivesse fazendo uma pós-graduação e precisasse entregar uma dissertação de mestrado este ano, o desejo de participar começou a fazer cócegas no fundinho da minha mente.
Deveria negá-lo e focar nas atividades que já estão em andamento? Parece óbvio que sim. Mas, como a capacidade de procrastinação do ser humano é tão incrível quanto sua tendência de generalizar problemas pessoais para encobrir coisas com as quais não quer lidar...
Declaro que me enfiarei em mais um projeto pessoal que imagino estar fadado ao fracasso: #100diasdeescrita. Afinal, se a procrastinação é um problema da humanidade, quem sou eu para superá-la, não é mesmo?
Como funciona?
Pesquisando um pouco mais, descobri que o "#100daysofWriting", na verdade, é parte de um movimento maior: o "#100daysofX", em que "X" representa o hábito de sua escolha. Ou seja, você pode fazer "#100daysof" qualquer coisa.
As regras são simples. Para participar, você só precisa:
- Escolher o hábito desejado e se comprometer com ele pelos próximos 100 dias.
- Tornar público seu progresso, utilizando a hashtag correspondente ao hábito.
Além disso, no site oficial, os autores sugerem que o progresso seja publicado no Twitter, utilizando as hashtags, para que outras pessoas possam se conectar com você, dando força para a realização da tarefa, que, diga-se de passagem, não é nada banal.
Algumas adaptações
Levando em consideração que o Twitter não existe mais e, na tentativa de decolonizar a atividade, vou fazer algumas adaptações.
Começando pelo nome, que vai ficar #100diasdeescrita, em português mesmo. No lugar do Twitter, vou utilizar o Mastodon e o Bluesky. Além disso, pretendo publicar neste blog os textos que escrever durante o processo.
Assim, não vou depender das mídias sociais que são mais nocivas para mim, estabelecendo diálogo sobre as coisas que venho pensando, enquanto sigo tentando criar alternativas mais agradáveis ao Instagram, Facebook e X. E ainda vou trabalhar na minha insegurança sobre publicar aquilo que escrevo.
Enfim
Vejamos. Tudo isso pode dar certo, é claro. Eu posso me empolgar, escrever todos os dias, criar um novo hábito e melhorar minha habilidade de escrita. Mas, honestamente, a probabilidade de eu abandonar esse projeto no 13º dia, após perceber que estou só me expondo ao ridículo por mais tempo do que o necessário, é imensamente maior.
De qualquer forma, não estou aqui para me comprometer com mais uma obsessão estilo coach de autoaperfeiçoamento. Estou apenas tentando preencher o vazio, sem ter que pensar nas outras milhares de coisas que tenho que fazer, enquanto me convenço de que este é um ato de criatividade elevada e não apenas mais uma desculpa para procrastinar.
E quem sabe, no final, eu até descubra que posso ser bom nisso. Ou não. Afinal, se as coisas não derem certo, eu tenho uma dissertação para me lembrar do que é realmente fracasso. Então, seguimos. Ou não.
Fica o convite
Por último, mas não menos importante. Fica aqui o convite para você que tem um comichão com escrita, mas tem medo de publicar os textos ou para aqueles que acham que podem tirar algum beneficio dessa empreitada. Escreva e use a #100diasdeescrita na rede de sua escolha. Se for no Mastodon ou no bluesky pode me marcar se quiser.
Acho que vai ser mais fácil se alguém decidir fazer junto.
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